artrite

Cientista americano anuncia possível cura para Artrite Reumatóide.

A artrite reumatóide é uma doença auto-imune sistêmica crônica que afeta milhões de pessoas. É caracterizada por dor persistente, rigidez e destruição progressiva das articulações, levando a deformidades incapacitantes, particularmente nas mãos e nos pés. O que podemos fazer para prevenir e tratar? Será que existe cura ou mesmo uma alternativa natural de tratamento?

Há algum tempo atrás eu conheci a história de uma mulher que havia sido diagnosticada com artrite reumatóide severa, a doença havia progredido a ponto de limitar a sua capacidade de locomoção. Todos os tratamentos possíveis haviam falhado. O médico disse que mesmo uma cirúrgia não melhoraria a sua limitação física. Já quase sem esperança ela resolveu seguir um tratamento natural inovador. Os resultados foram surpreendentes. Em pouco tempo as dores cessaram e aos poucos ela pode voltar a caminhar normalmente. O tratamento que ela seguiu foi uma reeducação alimentar associada a uma suplementação de lisina e vitamina C, conforme é visto no estudo de Maryland. 

Um conhecido médico e cientista nutricional Dr Michael Greger fez também uma declaração que seria ao menos polêmica se não fosse estritamente científica. A cura ou melhora da Artrite Reumatóide é possível.

No vídeo do Dr Michael Greger “Por que as dietas baseadas em plantas ajudam na artrite reumatóide? ” (tradução livre), ele mostra um famoso  estudo  controle randomizado (de 13 meses de duração) de dietas à base de plantas para artrite reumatóide onde os pacientes foram colocados em uma dieta vegana por três meses e meio e depois mudaram para uma dieta lactovegetariana sem ovos pelo restante do estudo. Em comparação com o grupo controle (que não alterou a dieta), o grupo baseado em plantas experimentou melhorias significativas em poucas semanas. A rigidez matinal melhorou no primeiro mês, reduzindo o número de horas que sofriam de rigidez articular pela metade. O nível de dor caiu para menos de 3 em um nível de 10. Os níveis de incapacidade diminuíram e os participantes relataram que se sentiam melhor; eles tinham mais força, menos articulações sensíveis, menos sensibilidade nas articulações e menos inchaços. Eles também tiveram uma queda nos marcadores inflamatórios no sangue, como taxa de sedimentação, proteína C-reativa e contagem de leucócitos.

O Dr Michael então levantou a pergunta o que a dieta tem a ver com a doença articular?

A artrite reumatóide é uma doença auto-imune, na qual o nosso próprio corpo ataca o revestimento das nossas articulações. Há também uma doença auto-imune diferente chamada febre reumática, onde o nosso corpo ataca nosso coração. Por que faria isso? Parece ser uma questão de fogo amigo.

A febre reumática é causada pela faringite estreptocócica, que é causada por uma bactéria que tem uma proteína que se parece muito com uma proteína em nosso coração. Quando o nosso sistema imunológico ataca as bactérias estreptocócicas, ele também ataca nossas válvulas cardíacas, desencadeando um ataque auto-imune por “mimetismo molecular“. A proteína da bactéria do estreptococo está mimetizando uma proteína em nosso coração; então, nosso corpo fica confuso e ataca ambos. É por isso que é fundamental tratar a faringite desde cedo para evitar que nosso coração seja pego no fogo cruzado.

Levando por este ponto de partida os pesquisadores descobriram que a artrite reumatóide também pode ser desencadeada por uma infecção.

Uma pista por onde começar a procurar foi o fato de as mulheres parecerem obtê-la três vezes mais do que os homens. Que tipo de infecção as mulheres contraem mais que os homens? Infecções do trato urinário (ITUs). Então, os pesquisadores começaram a testar a urina de pacientes com artrite reumatóide e, eis que, encontraram uma bactéria chamada Proteus mirabilis. Mas isso não é suficiente para causar sintomas de uma ITU, mas o suficiente para desencadear uma resposta imune. E, de fato, há uma molécula na bactéria que se parece muito com uma das moléculas nas nossas articulações. 

teoria é que os anticorpos anti- Proteus que agem contra a molécula bacteriana podem inadvertidamente danificar nossos próprios tecidos articulares, levando eventualmente à destruição das articulações. Portanto, intervenções para remover essa bactéria dos corpos dos pacientes, com consequente redução de anticorpos contra o organismo, devem levar a uma diminuição da inflamação.

Como pode ser visto no vídeo do Dr Michel Greger “Evitando o frango para evitar infecções da bexiga “, sabemos que boa parte das infecções do trato urinário se originam da flora fecal. As bactérias se arrastam do reto para a bexiga. Como podemos mudar estes erros? A resposta é, mudar nossa dieta. 

 Alguns dos primeiros  estudos sobre o tema publicados há mais de 20 anos de como mudar fundamentalmente a flora intestinal das pessoas foram feitos usando dietas veganas cruas, imaginando que isso é uma mudança fundamental na dieta ocidental padrão. De fato, em poucos dias os pesquisadores poderiam alterar significativamente a flora intestinal dos indivíduos. Quando os pesquisadores associaram a artrite reumatóide com esse tipo de dieta, eles  experimentaram alívio, e as maiores melhorias foram relacionadas à maiores mudanças na flora intestinal. Mas a dieta foi considerada tão intolerável, que metade dos pacientes não aguentou e desistiu, talvez porque eles estavam tentando alimentar as pessoas com “costeletas de beterraba-com-trigo-sarraceno”, amanteigadas com uma cobertura feita de amêndoas e suco de pepino fermentado… Ou por que talvez eles simplesmente não quisessem mudar, lembro-me de minha época do curso de naturopatia quando fazia estágio conheci uma jovem mulher que já estava com sérias deformidades nos dedos das mãos, a alertamos sobre todos aqueles alimentos que ela consumia e como eles a estavam envenenando o seu corpo e suas articulações, mas infelizmente não houve mudança.

Felizmente,  dietas vegetarianas e veganas regulares simples também funcionam, elas alteram a flora intestinal e melhoram a artrite reumatóide. No entanto, não temos especificamente a confirmação de que as dietas à base de plantas reduziram os anticorpos anti- Proteus até 2014. Indivíduos que responderam à dieta à base de plantas apresentaram uma  queda significativa nos anticorpos anti- Proteus mirabilis em comparação ao grupo controle. Talvez eles apenas tenham ignorado as respostas imunológicas? Não, os níveis de anticorpos contra outras infecções permaneceram as mesmas; Assim, a suposição é que a dieta à base de plantas reduza os níveis destes anticorpos urinários ou intestinais.

A mudança de uma dieta onívora para uma vegetariana tem uma influência profunda na composição da urina também. Por exemplo, aqueles que se alimentam de plantas têm níveis mais elevados de lignanos na urina. Até agora, pensava-se que eles só protegiam as pessoas contra o câncer, mas agora sabe-se que os lignanos também podem ter  propriedades antimicrobianas. Talvez, eles ajudem a eliminar o Proteus mirabilis do sistema. De qualquer forma, esses dados sugerem um novo tipo de terapia para o tratamento da artrite reumatoide: medidas anti-Proteus, incluindo dietas à base de plantas.

O Dr Greger explorou outra teoria não convencional a respeito do por que as dietas à base de plantas são tão bem sucedidas no tratamento da artrite inflamatória, na deficiência de Potássio e na Doença Auto-Imune. 

Existe outra bactéria transmitida por alimentos, que implica em doenças humanas, a ExPEC (doença extra-intestinal por Escherichia coli, da galinha, ela leva a infecções do trato urinário – outro fator que pode mudar o jogo: Evitar o frango para evitar infecções na bexiga. Mas essa já é uma outra história. 


P.S. Vale lembrar que Michael Greger, é médico, autor de best-seller do New York Times e palestrante profissional reconhecido internacionalmente em vários países. O Dr. Greger lecionou na Conferência sobre Assuntos Mundiais, nos Institutos Nacionais de Saúde e na Cúpula Internacional de Gripe das Aves, testemunhou perante o Congresso, apareceu no programa Dr. Oz Show e no The Colbert Report, e foi convidado como testemunha especialista em defesa de Oprah Winfrey no infame julgamento da “difamação de carne”.

Referências

Todas as referências estão hiperlinkadas. Por favor não esqueça de ativar as legendas para o português nos links que abrem vídeos.

Nota: Este artigo foi construído a partir do artigo original de Michael Greger “The best diet for rheuatoid arthritis”. E sua reprodução e alterações foram autorizadas por uma licença Creative Commons que pode ser consultada  aqui. Alguns parágrafos extras foram adicionados e alguns foram suprimidos. Você também pode consultar o artigo original em inglês no link abaixo.

GREGER, Michael. The best diet for rheuatoid arthritis. Nutrition Facts. 2017. Online: https://nutritionfacts.org/2017/05/09/the-best-diet-for-rheumatoid-arthritis

2 comentários

  1. Excelente conteúdo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *